Criado pelo Grupo Mais Evidências. 2019

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Apresentação:

Mais que conquistas, os avanços científicos da Medicina nos últimos anos, as facilidades crescentes nas tecnologias de informação e comunicação significam grandes desafios para os profissionais de saúde e para os seus pacientes. Sobrecarregados com tanta informação, com frequência se veem confundidos por propagandas enganosas de efeitos benéficos exagerados de medicamentos e procedimentos. Outras vezes deixam de valorizar informações e novidades relevantes e importantes, perdidas no vasto mundo da internet e do Google.

Para enfrentar esse desafio ao longo da carreira médica, autoridades mundiais recomendam o desenvolvimento de competências específicas fundamentais para saber fazer perguntas diante de problemas do dia-a-dia e estudar em fontes confiáveis. Com isso, os profissionais poderão “garantir que os pacientes e suas famílias estejam informados sobre os riscos e os benefícios de cada opção de tratamento no contexto da melhor evidência e das diretrizes.” O médico moderno deve, ainda, participar de comunidades envolvidas “no desenvolvimento de sínteses de evidências para os seus pares”, numa atitude de cidadania profissional. São competências como essa que o curso “Prática em Saúde Baseada em Evidências”(PSBE) tem por objetivo facilitar.

Em sintonia e em parceria com os melhores grupos mundiais envolvidos na produção e difusão da PSBE, os organizadores agregam experiências locais e contam, hoje, com uma comunidade crescente de colaboradores motivados pela vontade de colaborar na melhoria contínua do cuidado à saúde. Utilizamos a metodologia GRADE, que se consolidou como referência global, tendo sido adotada por mais de 80 organizações respeitadas mundialmente, incluindo a própria Organização Mundial de Saúde, a Colaboração Cochrane, o UpToDate. Nessa metodologia, a compreensão da qualidade do conjunto das evidências, no que diz respeito à confiança na estimativa dos efeitos demonstrados sobre consequências que importam para os pacientes é o passo inicial para construir recomendações para a prática. A metodologia facilita a definição de prioridades, o posicionamento diante de incertezas, tão frequentes, e a decisão compartilhada envolvendo pacientes, profissionais e gestores.

Objetivo principal:

Promover o desenvolvimento de competências centrais para a PSBE, das bases para a boa utilização das evidências no cuidado de pacientes às habilidades essenciais para o ensino, disseminação e a implementação.

Objetivos específicos:

Ao final do curso os participantes deverão:

- Conhecer os princípios fundamentais da PSBE para a tomada de decisões no cuidado dos pacientes;

- Utilizar métodos de análise crítica que permitem reconhecer evidências confiáveis, a partir da avaliação do risco de viés nos estudos clínicos;

- Compreender conceitos estatísticos essenciais, familiarizar-se com a diferença entre estatisticamente significativo e clinicamente importante;

- Compreender medidas de efeito relativo e absoluto de uma intervenção terapêutica sobre desfechos importantes para os pacientes, desfechos substitutos e desfechos clínicos;

- Utilizar de sistemática apropriada para avaliar a confiança que se pode ter nas evidências que embasam a utilidade de um teste diagnóstico, de uma informação prognóstica ou guia de predição clínica;

- Compreender as informações chave para identificar os riscos e benefícios dos exames rotineiros de rastreamento (screening).

- Reconhecer que um conjunto de evidências que embasa uma recomendação para a prática pode ter qualidade alta, moderada, fraca ou muito fraca; é essa qualidade que define a confiança que podemos ter em uma informação.

- Reconhecer que evidências científicas são essenciais, mas não suficientes para a definição de recomendações a serem seguidas nas decisões clínicas.

- Colaborar e exercer a liderança compartilhada para conhecer, facilitar a compreensão, a difusão e a implementação das evidências científicas nos serviços de saúde.

- Participar de grupos e comissões encarregadas de elaborar recomendações, diretrizes ou protocolos de cuidado.

- Participar de auditorias clínicas para promover ciclos de melhorias nas unidades de saúde.

Público alvo

- Profissionais de saúde em geral, preceptores e residentes.

Carga horária e duração:

- Carga horária total: 44h,

- Duração: 4 meses

- Carga horária presencial em atividades de plenário: 20h (2 sessões de 8 h e 1 sessão de 4 horas)

- Carga horária em atividades de aprendizado individual auto-dirigido: 24h (16 sessões de aprendizado utilizando plataforma digital).

Sobre o curso

Metodologia:

- Dois minicursos, baseados em exposições interativas, realizados aos sábados.

- 16 Sessões de aprendizado individual auto-dirigido, utilizando textos, vídeos, questões e referências, para serem concluídos no período de duração do curso.

- Seminário de conclusão: apresentação de experiências reais e debates sobre como o conteúdo do curso deve se traduzir em ferramentas para a utilização no cotidiano dos profissionais.

Conteúdo programático:

Minicurso 1 e Sessões de Aprendizado à Distância 1-8:

Evidências para orientar as decisões sobre os melhores tratamentos para o paciente

- Princípios da Prática em Saúde Baseada em Evidências e contextualização histórica

- Análise crítica de ensaios terapêuticos: risco de viés, erro sistemático, erro aleatório, significância estatística, intervalos de confiança, estimativas de efeito: risco relativo, risco absoluto, hazzard, curvas de sobrevida, número necessário ao tratamento (NNT).

- Análise crítica de revisões sistemáticas e metanálises de ensaios terapêuticos: credibilidade e confiança na estimativa dos efeitos.

- Metodologia GRADE: Risco de viés, inconsistência, imprecisão, viés de publicação, dados indiretos. Recomendações fortes e recomendações fracas.

- O modelo 4S de fontes de evidências e conhecimento.

- Evidências sobre danos de tratamentos e estudos observacionais.

- Diretrizes e protocolos

- Definição de prioridades.

 

Minicurso 2 e Sessões de Aprendizado à Distância 9-16:

- Análise crítica de evidências sobre prognóstico

- Análise crítica e utilidade de guias de predição clínica: derivação, validação e impacto

- Análise crítica de estudos de diagnóstico: Desfechos críticos para recomendar um teste ou uma estratégia diagnóstica.

- Razão de chances, sensibilidade, especificidade, razão de probabilidades, área sobre a curva.

- Análise crítica de evidências sobre screening: superdiagnóstico, desvio do tempo zero.

- Princípios e ferramentas para a promoção da decisão compartilhada.

- Protocolos e Auditorias clínicas

- Aprendizado com experiências mundiais de mudanças de práticas arraigadas alavancadas por lideranças clínicas e baseadas em evidências.

 

Seminário de conclusão:

 

- Exemplos de experiências de construção de protocolos, auditorias clínicas e ciclos de melhoria pelo aprendizado.

 

Avaliação

- Frequência nos 3 encontros presenciais.

- Realização dos exercícios e atividades do da plataforma de aprendizado à distância.

Bibliografia e recursos didáticos:

1. Recursos do Portal "Saúde Baseada em Evidências" do Ministério da Saúde (http://www.psbe.ufrn.br/)

2. Recursos do site: www.cebm.net

3. Guyatt G, Rennie D, Meade M, Cook D: User’s Guides to the Medical Literature. A Manual for Evidence Based Practice. 3rd Edition. JAMA Evidence, McGrawHill, 2014.

4. Cullum N, Ciliska D, Haynes RB, Marks S. Enfermagem Baseada em Evidências. Uma Introdução. Editora Artmed, 2010

 

Realização:

- HC-UFMG (Gerência de Ensino e Pesquisa, Centro de Extensão e Núcleo de Avaliação de Tecnologias)

- AREMG: Associação de Apoio à Residência Médica de Minas Gerais

- Grupo Mais Evidências